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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Dezembro laranja: A importância da ultrassonografia dermatológica para o diagnóstico do câncer de pele

O câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil, sendo que o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra, a cada ano, cerca de 185 mil novos casos. O tipo mais comum, o câncer da pele não melanoma, tem letalidade baixa, porém seus números são muito altos. A doença é provocada pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas e, de acordo com as que forem afetadas, são definidos os diferentes tipos de câncer. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, responsáveis por 177 mil novos casos da doença por ano. O melanoma é mais raro, com cerca de 8,4 mil novos casos anualmente, porém é o tipo mais agressivo e letal de câncer da pele.

A ultrassonografia dermatológica de alta resolução é uma ferramenta importante que pode fornecer informações importantes quanto a natureza da lesão, dimensões, extensão, complicações e presença de metástases. Estas informações são imprescindíveis para o melhor manejo, menor morbidade e maior sobrevida dos pacientes.

No que consiste a ultrassonografia dermatológica de alta resolução? São exames ultrassonográficos realizados com aparelhos de alta tecnologia, com transdutores lineares de alta frequência, acima de 15 MHz, e realizado por um profissional treinado em patologias dermatológicas.

Por utilizar transdutores de alta frequência permite examinar a pele e suas camadas, seus anexos, bem o seu suprimento sanguíneo através do uso do Doppler.

Nas malformações e tumores vasculares o ultrassom permite diferenciar as lesões com aumento do fluxo sanguíneo de lesões de baixo fluxo, fator importante no diagnóstico e tratamento.

Nos casos de melanoma permite a detecção de metástases satélites em trânsito ou acometimento de linfonodos.

A ultrassonografia dermatológica de alta resolução permite ainda o estudo das lesões de unha, avaliando as lesões localizadas abaixo da placa ungueal sem a necessidade de remoção cirúrgica da mesma.

É um exame indolor, não invasivo e que não utiliza a radiação ionizante.

Aqui listamos as 10 principais razões do “Por que realizar ultrassonografia dermatológica” citados pela maior expert na área Dra. Ximena Wortsman:
 

1- Melhorar o planejamento cirúrgico ou tratamento médico

Evidências científicas mostram que os tumores de pele e unha podem ser mais bem definidos com ultrassom em todos os eixos, incluindo a profundidade. Além disso, o fluxo sanguíneo dentro da lesão pode ser detectado em tempo real. O conhecimento dos dados anatômicos pode melhorar consideravelmente a precisão da cirurgia e pode subsidiar a decisão do local e tamanho da incisão. A capacidade de conhecer previamente a profundidade da lesão pode apoiar decisões críticas, como a realização de um procedimento de linfonodo sentinela ou uma radioterapia. Além disso, as informações ultrassonográficas podem apoiar as decisões de manejo em anomalias vasculares, como hemangiomas ou malformações vasculares.

 2- Para prevenir recorrências

O uso do ultrassom tem sido descrito para reduzir a possibilidade de recorrências em tumores ungueais ou cutâneos. Além disso, muito poucas recorrências foram relatadas em pacientes submetidos a exames de ultrassom pré-cirúrgico. O potencial do ultrassom em realizar uma detecção adequada da profundidade do tumor e do potencial satélite ou metástase em trânsito, bem como o envolvimento de estruturas mais profundas, podem de fato reduzir a possibilidade de falha do tratamento.

3- Melhorar o prognóstico cosmético

Lesões de pele comumente afetam áreas altamente expostas, como o rosto; portanto, um conhecimento adequado da anatomia do tecido lesional pode ajudar na escolha da melhor abordagem cirúrgica ou tratamento médico. Além disso, a ultrassonografia pode apoiar um acompanhamento não invasivo das lesões, o que pode evitar a realização de vários procedimentos invasivos, como biópsias.

4- Discriminar entre uma lesão de origem dermatológica e não-dermatológica

Edemas ou nódulos cutâneos podem ter origem extra cutânea e, secundariamente, envolver a pele. Essas lesões podem ser provenientes de estruturas adjacentes, como músculos, tendões, glândulas ou osso. Os últimos achados podem ser críticos em regiões onde a pele é fina e, portanto, fácil de infiltrar. O conhecimento desses simuladores pode orientar o tratamento de forma adequada.

5- Para detectar atividade e gravidade de uma doença cutânea

Foi relatado que o ultrassom pode detectar a atividade e a gravidade de doenças cutâneas comuns, como psoríase ou morféia, e também é um bom indicador da gravidade em condições que podem ser difíceis de controlar, como a hidradenite supurativa. Os dados anatômicos sobre extensão e vascularização são essenciais para avaliar as características dessas entidades.

6- Para descartar a presença de componentes exógenos

Vários tipos de componentes estranhos podem ser encontrados na pele. Esses agentes podem apresentar origem traumática, como cacos de vidro ou lascas de madeira, ou podem ser injetados para fins cosméticos, tais como enchimentos. A detecção ultrassonográfica e a identificação desses componentes podem melhorar o manejo desses pacientes. Além disso, uma remoção de corpos estranhos guiada por ultrassom pode ser realizada.

7- Para evitar tanto quanto possível procedimentos invasivos

O ultrassom pode permitir o acompanhamento não invasivo nas doenças cutâneas crônicas comuns e também no estudo de condições ungueais que podem evitar a necessidade de múltiplas biópsias. Este estudo não invasivo pode ser especialmente útil em doenças que afetam áreas altamente expostas, como a face ou em regiões onde as biópsias são difíceis de realizar e podem facilmente gerar sequelas cosméticas como na unha.

8- Detectar alterações subclínicas

Foi relatado que lesões subclínicas podem ser detectadas por ultrassom. Essas condições incluem tumores de pele malignos, como carcinoma basocelular e também psoríase ungueal. O reconhecimento de alterações subclínicas também pode fornecer informações anteriores sobre a eficácia de um tratamento.

9- Segurança e Conforto

O ultrassom não irradia, como a tomografia computadorizada e não confina o paciente a um espaço reduzido, como a ressonância magnética. Os exames de ultrassom permitem uma rica interação entre o paciente e o ultrassonografista. Além disso, pelo menos em estudos basais, o ultrassom dispensa a injeção de contraste intravenoso, o que evita o desenvolvimento de reações adversas.

10- Custo-eficácia

O custo dos exames de ultrassom geralmente é menor do que o custo de outras técnicas de imagem amplamente disponíveis. Além disso, haveria economia de custos significativa quando o diagnóstico precoce e o prognóstico cosmético pudessem ser melhorados e as taxas de recorrências diminuíssem. Além disso, o ultrassom de frequência variável fornece um bom equilíbrio entre resolução e penetração, sendo capaz de medir estruturas submilimétricas e ao mesmo tempo detectam o envolvimento de órgãos mais profundos sem perder a definição. Todas essas características fornecem uma ampla gama de condições para trabalhar com ultrassom em dermatologia.