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sexta-feira, 7 de abril de 2017

SÍNDROME DE IMPACTO DO QUADRIL

Fonte: Kozma

A chegada do verão é um convite a prática esportiva e a dedicação aos exercícios físicos se torna mais intensa. Porém, com a falta de preparo adequado ou com o aumento do ritmo e frequência uma série de problemas podem surgir, entre elas, lesões no quadril.

A dor na região pode soar o alarme para a Síndrome de Impacto do Quadril, lesão conhecida por ter aposentado o tenista Gustavo Kuerten. Comum em diversos esportes, a patologia tem maior incidência em adultos jovens, entre 20 e 40 anos. De acordo com o ortopedista e traumatologista do IOT, Samuel Faccioni, com tratamento precoce, através de um programa de reabilitação, é possível prevenir danos maiores, mas não havendo resposta ao tratamento conservador, pode-se realizar intervenção cirurgica por artroscopia, procedimento minimamente invasivo, realizado desde 2011 no IOT em Passo Fundo. 

Acompanhe a entrevista esclarecedora com o Dr. Samuel Faccioni, especialista em cirurgia do quadril.

Quais as características da síndrome de impacto do quadril? 
Dr. Samuel Faccioni: É uma patologia decorrente de alterações na anatomia normal do quadril, que faz com que em determinados movimentos ocorra conflito do fêmur com o acetábulo, o que provoca lesões no labrum e cartilagem articular e consequentemente dor. Com a evolução do problema, em determinados casos, pode ocorrer evolução para processo degenerativo da articulação, ocasionando artrose (desgaste do quadril).

Quais os sintomas?
Dr. Samuel: Geralmente os pacientes apresentam queixa de dor em região da virilha e na parte anterior da coxa, desencadeada por atividades esportivas. Nas fases iniciais, a dor ocorre após ou ao fim da atividade, mas com a evolução ocorre durante as atividades podendo em muitos casos limitar ou impedir a realização dos exercícios. É comum a queixa de dor em movimentos de rotação do quadril como movimentos de entrar e sair do carro e períodos prolongados na posição sentada. Estalidos e restrição da mobilidade do quadril também são queixas comuns.

Quais as causas? 
Dr. Samuel: Existem dois tipos básicos de impacto femoroacetabular. O pincer quando há alteração no acetábulo e o came quando há alteração no contorno normal da cabeça femoral. A maioria dos pacientes, entretanto, apresenta associação dos dois tipos.

Quem são as pessoas mais atingidas pela patologia?
Dr. Samuel: Acomete principalmente homens jovens, praticantes de atividades físicas, na faixa etária média dos 20-40 anos. As mulheres, geralmente são acometidas um pouco mais tarde, a partir da 4ª década de vida. Entretanto, são frequentes pacientes com esta patologia, em praticamente todas as faixas etárias.

É possível prevenir a doença? Como?
Dr. Samuel: É possível prevenir fatores relacionados ao surgimento dos sintomas, que desencadeiam a dor, como atividades que exijam amplitudes extremas de movimento do quadril e movimentos de hiperflexão do quadril sobre o tronco. Além de manter um bom condicionamento físico para prática de esportes, pois com isto, há maior estabilidade articular e menor risco de lesões.

Como é realizado o diagnóstico?
Dr. Samuel: O diagnóstico é realizado através de uma boa anamnese e exame físico minucioso do paciente. Existem várias causas de dor na região do quadril e o diagnsóstico inicia na consulta médica. Além da história e exame físico, o raio x é muito útil. Em casos selecionados há necessidade de complementar a investigação com exame de ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Quais os métodos de tratamento?
Dr. Samuel: Inicialmente o tratamento é conservador, com manejo da dor e reabilitação com uso de fisioterapia e modificação de hábitos dos pacientes. Persistindo a dor e incapacidade, sem resposta ao tratamento conservador, pode haver necessidade de tratamento cirúrgico,

Sobre a cirurgia vídeo artroscópica:

Como é realizado o procedimento?
Dr. Samuel: A artroscopia é uma forma de acesso cirúrgico muito comumente utilizada na ortopedia, especialmente para cirurgias de joelho e ombro. Na última década, com o desenvolvimento de técnicas e instrumentais adequados, passou a ser utilizada também, na cirurgia do quadril. Consiste basicamente da introdução, através de duas ou três pequenas incisões na região do quadril, de uma microcâmera na articulação e de instrumentos específicos para realizar os procedimentos necessários. Obtendo-se uma imagem amplificada da articulação e das lesões articulares, o tratamento das mesmas é realizado através de uma abordagem minimamente invasiva.

Em quais casos é indicada?
Dr. Samuel: Além do tratamento do impacto femoroacetabular, a artroscopia pode ser utilizada em outras patologias acessíveis por este método, como lesões labrais, lesões tendíneas e da cartilagem articular, desde que não associados a desgaste da articulação e quadros de displasia grave do quadril. A técnica artroscópica não é indicada em pacientes que apresentam desgaste em estágios mais avançados, quando o tratamento geralmente recai na indicação de prótese do quadril.

Quais as vantagens deste procedimento em comparação com uma cirurgia aberta?
Dr. Samuel: Por ser pouco invasiva, tem internação geralmente de apenas 1 dia, permite na maioria dos casos deambulação com carga precoce no membro operado, utilizado muletas para proteção por aproximadamente 2 semanas. Na cirurgia aberta além da internação mais prolongada, há necessidade de grandes incisões, consequentemente aumentam as complicações relacionados ao trauma cirúrgico e reabilitação mais prolongada.

Como ocorre a recuperação?
Dr. Samuel: Usualmente, a fisioterapia é iniciada logo nos primeiros dias do pós-operatório e gradualmente com a recuperação é retomada a pratica de atividades físicas. Inicialmente caminhas, bicicleta e natação. O retorno as corridas geralmente é permitido após o 3º mês e esportes de contato, como o futebol, a partir do quinto mês pós-operatório.

E os resultados?
Dr. Samuel: O resultado do procedimento cirúrgico depende basicamente de três fatores: a idade do paciente (quanto mais jovem melhores os resultados), o tempo de sintomas (os resultados são melhores em pacientes operados com menos de 2 anos de sintomas) e o grau de comprometimento da articulação (pacientes com lesões mais extensas, especialmente da cartilagem, tendem a ter piores resultados).

É um procedimento novo? Qual a formação exigida do profissional para realizá-lo? 
Dr. Samuel: É um procedimento relativamente novo, recomenda-se que seja executado por cirurgião de quadril com formação específica para artroscopia do quadril, uma vez que são procedimentos complexos. Além de formação específica na área, é necessário o apoio de uma estrutura hospitalar de qualidade, como a que dispomos no HSVP.